O que eu quero que as minhas filhas saibam

Foto por Darcy Hemley

Neste ano, duas das blogueiras que eu acompanho deram luz a meninas. Foi interessante ver como, de todas as coisas que elas poderiam falar sobre ter uma menina, tudo o que eu li era sapatinhos, roupinhas, herdeira das minhas bolsas, cor de rosa, mini fashionista. Sério mesmo que isso é tudo? Sim, isso faz parte do universo feminino. Eu mesma sou louca por maquiagem. Me lembro que no final da minha adolescência o meu pai, já resignado depois de muitos sermões sobre o exagero dos nossos sapatos (somos três meninas), aprendeu o mantra "faz parte de se ter filhas". E sim, faz parte. Mas não é só isso.

Um tempo atrás eu li esse artigo sobre como falar com meninas. A autora do artigo disse que ao invés de elogiar uma menina pelo vestido fofo ou sapatinho para quebrar o gelo, ela procura fazer perguntas sobre o intelecto da menina. Quais livros você lê? Você já visitou uma biblioteca? O que você gosta de desenhar? Qual a sua brincadeira predileta? Pode parecer bobo, mas com tanta menina se maquiando antes dos 10 anos para ir pra escola, preocupada com o peso e o cabelo encaracolado, o que precisamos afirmar para as meninas é que o que elas pensam é sim importante. E, afinal, que mensagem você está passando quando a primeira coisa que você nota nela é o sapato? 

Joanna Goddard, uma das minhas blogueiras prediletas, colocou o teste a prova. Enquanto pegava um ônibus em Nova York, ela se sentou ao lado de uma menina com um laço lindo na cabeça. Mas ao invés de elogiar o cabelo dela, a Jo resolveu perguntar qual livro ela estava lendo. No final da conversa, ela descobriu que a menina já tinha lido muitos livros naquele verão que a Jo também gostava, que tinha passado férias na casa dos avós na Europa, e que amava panqueca com limão. Quanto ela teria descoberto se só tivesse elogiado o cabelo da menina? Provavelmente não muito.

Eu quero ensinar para as minhas filhas que o cuidado com o corpo e a aparência são importantes sim. Mas também quero ensiná-las que você tem que desenvolver o intelecto, exercer a criatividade e brincar embaixo da chuva sem se preocupar em desmanchar o cabelo. Eu quero que elas entendam que livros são objetos mágicos que te transportam para um novo mundo, que toda criança é um artista, que quando elas crescerem elas terão a capacidade de ser o que quiserem, de cientista à pianista. Eu quero que elas entendam que não existe limite para o que elas podem fazer e que o mundo não vai acabar se elas tiverem um pneuzinho, até mesmo porque um príncipe encantado de verdade não se importa com essas coisas.

Eu quero que elas se aceitem do jeito que são, sem precisar ficar fazendo untag no Facebook de uma foto que elas acham feia. Eu quero que elas não se sintam culpadas por progredir profissionalmente ou por decidir ficar em casa com o bebê um dia. Quero que elas aprendam a valorizar o próprio corpo, e que homem nenhum deve tocá-las de forma inapropriada porque "homem é assim mesmo". Eu quero que elas aprendam a respeitar a si mesmas e ao próximo, não importa a cor ou classe social.

Sim, minhas filhas terão muitos sapatinhos e lacinhos fofos, mas a biblioteca delas será maior que o guarda-roupas.

ps. Obrigada pai e mãe por terem feito um trabalho incrível na criação de três meninas.

3 comentários

  1. assim que eu penso tambem.. e tento fazer com as minhas 3 passarinhas ;)

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  2. "a biblioteca delas será maior que o guarda-roupas".. Fera!!
    (Jessé)

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