Esse negócio de ficar em casa

Fazendo a pensativa.

Como vocês já sabem, agora eu sou uma dona de casa. Em junho, como já disse aqui, parei de trabalhar porque não consegui um visto de trabalho, o que significa que o meu novo visto me permite ficar em casa legalmente e ai de mim se reclamar. Até aí tudo bem, eu já sabia as "regras do jogo", digamos assim. A parte negativa de ficar em casa? O preconceito.

Toda vez que eu digo que agora estou em casa, as pessoas olham pra mim com piedade, como se eu tivesse acabado de dizer que acabei de descobrir que perdi metade do meu cérebro. Cansei de ouvir sentenças que começam com "agora que você não tem mais nada para fazer...". As pessoas falam como se eu tivesse acabado de entrar para um clube do qual ninguém quer fazer parte.

A verdade é que existem sim donas de casa que não fazem nada. Muitas passam o dia inteiro, o mês inteiro e até o ano inteiro fazendo nada e botando toda a culpa nos filhos (quem nunca ouviu "meu filho não me deixa fazer nada" que atire a primeira pedra). Mas essa não sou eu e acredito SIM que você pode tornar o tempo em casa em algo bem aproveitado.

No final das contas, esse tempo tem sido bom. Acho que estou conseguindo manter a casa organizada, as refeições planejadas e o marido feliz na medida do possível. Como não quero parar, tenho aproveitado para aprender bastante também. Acompanhei um cinegrafista durante um dia, aprendi várias técnicas de vídeo, descobri o Adobe Premiere e estou passando bastante tempo fotografando com o Spottin.me. Também estou aprendendo a mexer em Wordpress (FINALMENTE) e me inscrevi para alguns cursos, como esses online. Tenho me dedicado à minha família e ao desenvolvimento dos meus talentos e hobbies, e acho que tudo isso tem sido muito recompensador.

Sim, eu sinto falta de trabalhar e do reconhecimento que acompanha um emprego de verdade. Porque é mais fácil sentir que você faz a diferença quando você recebe uma promoção do que quando você recebe um olhar de piedade. Também sinto falta de ver o meu nome impresso em publicações, por pura e simples vaidade. E, acredite, eu entendo bem a frustração que as vezes acompanha esse tempo em casa. Essa foi uma decisão difícil porque AMO MUITO a minha profissão, mas estou fazendo o melhor que posso com o que me foi dado.

No final, independente de ser difícil ou não, ficar em casa foi a minha decisão (porque poderia muito bem largar o meu marido aqui e construir a minha carreira no Brasil) e, acredite, com carteira assinada ou não, eu continuo sendo a mesma Mônica.

Um comentário

  1. Sinto esse olhar todos os dias...e escuto todos os comentários maldosos possíveis... realmente nao e facil

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