E tudo isso por causa de um bowl...

Foto tirada anos atrás em Brasilia, cidade onde vive parte do meu coração.
Um tempo atrás eu estava folheando uma revista Claudia quando me deparei com uma tigela linda. Gostei tanto que fui olhar no cantinho da página pra descobrir de onde ela era. Não achei descrição nenhuma da tal da tigela mas em compensação tinha a loja e o preço para um tal de bowl. Bowl? Palavrinha danada que me fez pensar. Com o rico vocabulário português, a gente realmente precisa pegar emprestado dos gringos uma palavra tão trivial como tigela?

Depois disso, comecei a prestar mais atenção não só na midia brasileira como também no que os meus amigos escrevem no Facebook, etc. e o que percebi é que hoje em dia maquiagem é make, bom dia é good morning e tênis de salto é sneaker (dica amiga: você pode chamar tênis de salto do que quiser, ele vai continuar sendo horroroso). Melhor amiga virou bff, namorado virou boyfriend, viagem com os amigos virou trip, moda virou fashion e por aí vai. Tudo isso seria cômico se não fosse tão trágico.

Acho que está na hora da gente perder essa vergonha de ser brasileiro, né? Aonde quer que eu vá aqui nos Estados Unidos, todo mundo que saber como é o Brasil, como é a comida, diz que acha tudo que vem do país lindo, inclusive o meu sotaque. Quantas vezes me pararam na rua pra saber que língua linda é aquela que eu estava falando no telefone! E enquanto isso, no Brasil, todo mundo falando inglês para ficar mais "cool".

Não estou querendo dar uma de Policarpo Quaresma e começar o movimento para falar tupi. Estou morando nos EUA há mais de cinco anos e sei apreciar um bom cupcake e um jazz como ninguém. Mas se quisermos um país melhor, com bons cidadãos que querem tornar o Brasil num país melhor, está na hora de nos educar e começar a ensinar as crianças, através do nosso próprio exemplo, o valor do Brasil. Porque não tem como levar pra frente um lugar que a gente despreza.

E é por isso que, se tiver meus filhos enquanto estiver morando aqui, eles vão brincar de Halloween em outubro, mas em junho também vão pular fogueira na festa junina e comer paçoca como ninguém (faço questão disso). E para eles dormirem, vou contar as histórias de uma bonequinha muito sapeca chamada Emília, de um menino perneta que adora aprontar chamado Saci e de uma turminha muito querida do bairro do Limoeiro chamada Turma da Mônica. E, assim como os meus pais fizeram comigo, vou ensiná-los a cantar o hino nacional com gosto, com a mão no peito.

Quem sabe assim a próxima geração aprende que o nome de bowl, no Brasil, é tigela.

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